Solto após 580 dias, Lula deixa prisão da PF em Curitiba e agradece vigília

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Paulo Roberto Netto, Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Talita Laurino, especial para o Estado – Estadão Conteúdo
Um ano e sete meses após ser preso na Operação Lava Jato para cumprir pena de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou na tarde desta sexta-feira, 8, a cela especial da Polícia Federal em Curitiba.

Lula saiu da sede da PF às 17h42 – pouco mais de uma hora depois da expedição do alvará de soltura. Uma multidão de manifestantes saudou o ex-presidente empunhando bandeiras do PT gritando palavras de ordem.

Na primeira fala pública depois de ser solto, o ex-presidente fez questão de agradecer aos manifestantes que participaram da vigília em frente à sede da PF no bairro do Santa Cândida em Curitiba, durante o período em que ele permaneceu preso. “Vocês não têm dimensão do significado de eu estar aqui junto com vocês”, disse ele, visivelmente emocionado. “Todo santo dia vocês eram o alimento da democracia que eu precisava para resistir a essa canalhice que o lado podre do Estado brasileiro fez comigo e com a sociedade brasileira”, afirmou Lula. “Eu não poderia ir embora daqui sem poder cumprimentar vocês”, garantiu o ex-presidente.

A ordem de soltura do petista foi dada pelo juiz Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara Federal de Curitiba, menos de 24 horas depois de o Supremo Tribunal Federal declarar inconstitucional a prisão após condenação em segunda instância – caso de Lula.

Lula foi condenado no caso triplex pelo ex-juiz Sergio Moro, atual ministro de Justiça e Segurança Pública, que lhe impôs nove anos e seis meses de reclusão. A pena foi aumenta para 12 anos e 1 mês de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o Tribunal da Lava Jato. Em abril deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reduziu a sanção para 8 anos, dez meses e vinte dias de reclusão.

O petista cumpria pena desde a noite de sete de abril de 2018 em uma cela especial dentro da Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense. O ex-presidente é acusado de receber propinas da empreiteira OAS em troca de contratos da Petrobras.

O repasse teria sido materializado em obras de melhorias e ampliação de um triplex no edifício Solaris, no Guarujá, no litoral paulista, e também por meio do armazenamento de bens que o ex-presidente recebeu durante seus dois mandatos no Planalto, entre 2002 a 2009.

Lula sempre negou o recebimento de vantagens indevidas. Ele é réu em outras ações penais, como no caso do sítio de Atibaia, no interior paulista, pelo qual foi condenado a doze anos e onze meses de reclusão pela juíza Gabriela Hardt em fevereiro deste ano. O caso será julgado no próximo dia 27 pelo TRF-4, que analisará se a sentença será anulada e o processo remetido de volta às alegações finais.

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